domingo, 4 de março de 2012

A possibilidade narrativa na Máquina de Goldberg


Das muitas coisas que ficaram ecoando na minha cabeça depois da vivência artística com a Caixa do Elefante -Teatro de Bonecos, uma delas foi a tal Máquina de Goldberg.Fiz uma pequena pesquisa e escrevi alguns pensamentos que gostaria de compartilhar com vocês. Espero que gostem e que tenha alguma serventia. 
Uma máquina de Rube Goldberg é uma máquina que executa uma tarefa simples de uma maneira extremamente complicada, geralmente utilizando uma reação em cadeia. Essa expressão foi criada devido ao cartunista americano e inventor Rube Goldberg, autor de diversos dispositivos com essa base de funcionamento. Rube Goldberg ( 4 de julho de 1883 a 7 de dezembro de 1970) foi um artista plástico, cartunista e escultor norte-americano.
O que primeiramente chama atenção nessas máquinas é a ideia de que elas são confeccionadas para resolver questões simples de maneira complicada. Esta é uma das premissas do palhaço, do trabalho do clown. Já neste paralelo revelam-se diversas possibilidades cênicas, como o humor, o conflito e o desenlace.
Outro aspecto interessante dessas máquinas são suas composições formais. Geringonças da mais alta categoria,conjugando elementos que despertam o interesse da assistência. A escolha desses objetos se mostra fundamental para o interesse cênico dessas estruturas. Primeiramente por tirá-los de seu status cotidiano, conferindo-lhes funções extraordinárias; mas também por especificar um universo pela escolha dos objetos. Por exemplo: uma máquina para regar plantas que composta com objetos de jardinagem, ou uma máquina para servir cerveja feita com objetos de bar e cozinha.
Todos esses fatores contribuem para que uma Máquina de Goldberg seja uma imagem muito forte, mais ainda quando se põe em ação. Nesse momento tocamos num aspecto muito importante dessas estruturas: o movimento.  Depois que a máquina é “ligada” por um elemento externo (humano, animal, ou ocasional, como o vento) toda a estrutura se articula de maneira autônoma. O efeito de reação em cadeia, já esquecido o start externo, faz com que se crie a impressão de que os elementos se movem por si só, por vontade própria. É nesse ponto que a Máquina de Goldberg se aproxima do Teatro de Animação. Em movimento, a máquina tem pulso (pelos movimentos ritmados e repetitivos) e tem direção (os “eventos” ocorrem dentro de um curso) criando um foco para o expectador. Além desses aspectos (que são condutores da leitura e por isso narrativos), podemos citar elementos que criam efeitos dramáticos, de tensão, conflito e desenlace. A tensão se dá quando, muito lentamente, um objeto precisa vencer seu próprio peso, ou sair do equilíbrio para manter a máquina em movimento. O desenlace é perceptível quando, ao fim, depois de tantas dificuldades vencidas, atarefa à qual a máquina se propunha é executada.
Após as breves considerações feitas, é possível imaginar que uma investigação prática da Máquina de Goldberg explorando suas possibilidades narrativas. Uma máquina,por si só,contadora de histórias.

2 comentários:

  1. Maysa, posta o link do vídeo que você nos mostrou em que uma máquina de goldberg rega uma planta. Não consegui achar o link...

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  2. Aqui segue um link de uma linda máquina!!!
    http://www.youtube.com/watch?v=14N9Jlpjg1w

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