Das muitas coisas que ficaram ecoando
na minha cabeça depois da vivência artística com a Caixa do Elefante -Teatro de
Bonecos, uma delas foi a tal Máquina de Goldberg.Fiz uma pequena pesquisa e escrevi alguns pensamentos que gostaria de compartilhar com vocês. Espero que gostem e que tenha alguma serventia.
Uma máquina de Rube Goldberg é uma
máquina que executa uma tarefa simples de uma maneira extremamente complicada,
geralmente utilizando uma reação em cadeia. Essa expressão foi criada devido ao
cartunista americano e inventor Rube Goldberg, autor de diversos dispositivos
com essa base de funcionamento. Rube Goldberg ( 4 de julho de 1883 a 7 de
dezembro de 1970) foi um artista plástico, cartunista e escultor norte-americano.
O que primeiramente chama atenção
nessas máquinas é a ideia de que elas são confeccionadas para resolver questões
simples de maneira complicada. Esta é uma das premissas do palhaço, do trabalho
do clown. Já neste paralelo revelam-se diversas possibilidades cênicas, como o
humor, o conflito e o desenlace.
Outro aspecto interessante dessas
máquinas são suas composições formais. Geringonças da mais alta
categoria,conjugando elementos que despertam o interesse da assistência. A escolha
desses objetos se mostra fundamental para o interesse cênico dessas estruturas.
Primeiramente por tirá-los de seu status cotidiano, conferindo-lhes funções
extraordinárias; mas também por especificar um universo pela escolha dos
objetos. Por exemplo: uma máquina para regar plantas que composta com objetos
de jardinagem, ou uma máquina para servir cerveja feita com objetos de bar e
cozinha.
Todos esses fatores contribuem para
que uma Máquina de Goldberg seja uma imagem muito forte, mais ainda quando se
põe em ação. Nesse momento tocamos num aspecto muito importante dessas
estruturas: o movimento. Depois que a
máquina é “ligada” por um elemento externo (humano, animal, ou ocasional, como
o vento) toda a estrutura se articula de maneira autônoma. O efeito de reação
em cadeia, já esquecido o start externo, faz com que se crie a impressão de que
os elementos se movem por si só, por vontade própria. É nesse ponto que a
Máquina de Goldberg se aproxima do Teatro de Animação. Em movimento, a máquina
tem pulso (pelos movimentos ritmados e repetitivos) e tem direção (os “eventos”
ocorrem dentro de um curso) criando um foco para o expectador. Além desses
aspectos (que são condutores da leitura e por isso narrativos), podemos citar
elementos que criam efeitos dramáticos, de tensão, conflito e desenlace. A
tensão se dá quando, muito lentamente, um objeto precisa vencer seu próprio
peso, ou sair do equilíbrio para manter a máquina em movimento. O desenlace é
perceptível quando, ao fim, depois de tantas dificuldades vencidas, atarefa à
qual a máquina se propunha é executada.
Após as breves considerações feitas, é
possível imaginar que uma investigação prática da Máquina de Goldberg
explorando suas possibilidades narrativas. Uma máquina,por si só,contadora de
histórias.
Maysa, posta o link do vídeo que você nos mostrou em que uma máquina de goldberg rega uma planta. Não consegui achar o link...
ResponderExcluirAqui segue um link de uma linda máquina!!!
ResponderExcluirhttp://www.youtube.com/watch?v=14N9Jlpjg1w